fbpx
inovação no direito

Direito, paradoxo do fracasso e inovação disruptiva

Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp

     

Autor: Rodrigo Luiz Rocha

O final da primeira década desse nosso século, que surgiu com vocação à informação, viu despontar as primeiras Lawtechs e Legaltechs, ainda nos Estados Unidos. Sob a influência do tino metodológico e comercial americano, as pouco mais de dez startups iniciais prosperaram e transformaram um segmento, antes quase inexistente, em um mercado próspero, que hoje conta com mais de 1.500 empresas, que movimentam juntas milhões e milhões de dólares. De lá para cá, o conceito desembarcou no hemisfério sul, fez casa por aqui e até conseguiu se tornar uma tendência, mas não sem antes vencer certas desconfianças.

Ao chegarem no Brasil, as Lawtechs encontraram um terreno fértil para crescimento, repleto de oportunidades e possibilidades. Mas se naquela época o arcaísmo e a carga burocrática dos nossos procedimentos acenavam com uma grande necessidade pelo desenvolvimento do segmento, o tradicionalismo arraigado no universo jurídico brasileiro fez surgir uma série de resistências e questionamentos de uma parcela dos nossos operadores do Direito.

No fim das contas, a maior parte desses movimentos contrários foi gradativamente ultrapassada pela necessidade. Isso ocorreu não só em função do desenvolvimento das nossas redes de telecomunicações, mas também por influência dos diversos avanços tecnológicos que tomaram conta das nossas vidas e se tornaram indispensáveis ao nosso padrão de conforto e comodidade vigente. Então, da próxima vez que você protocolar uma petição ou obter acesso à uma decisão, a partir do conforto de sua casa ou escritório, sem precisar enfrentar nem transito nem filas, pode agradecer ao internet banking e ao seu smartphone.

Após a solidificação dos primeiros passos em direção à informatização e ao aprimoramento tecnológico, que supriram alguns dos défices mais básicos da nossa prestação jurisdicional, as Lawtechs e os operadores do Direito puderam fomentar inovações verdadeiramente disruptivas, isto é, propor soluções que mudariam definitivamente as relações entre o Direito, a tecnologia e a sociedade.

Desde então, essa mudança de paradigma realmente vem transformando o mercado jurídico nacional, de maneira que algumas necessidades, anteriormente muito urgentes, foram extintas da noite para o dia, enquanto outras, antes impensáveis, surgiram no horizonte dos nossos juristas.

O estágio atual de imersão da tecnologia no universo do Direito pode sugerir que vencemos a barreira da desconfiança, mas, muito embora esse pensamento não esteja tão longe assim da verdade, alguns radicais e pessimistas ainda caem sobre nós num balançar da Árvore Envenenada, para dizer que precisamos voltar ao arcaísmo, como se só assim pudéssemos resgatar o “verdadeiro Direito” e nos livrar do suposto tecnicismo raso e mecânico que se instalou entre nós, como uma verdadeira pandemia.

Por mais que seja preciso reconhecer que, de fato, existem advogados que tratam o Direito de forma raso-mecânica, esse grupo mais tradicionalista atribui o problema à tecnologia em si e não aos maus operadores, o que acaba por influenciar outros juristas a tratarem com extrema desconfiança algumas das diversas inovações trazidas pelas Lawtechs e, por consequência, a ignorar tanto os novos paradigmas do mercado, quanto seus rumos futuros.

Não é raro encontrar advogados, ou mesmo bancas de advogados, com extremo potencial para estar na vanguarda das inovações do mercado, sobretudo, por conta de sua vasta experiência jurídica e de seu conhecimento cirúrgico sobre os verdadeiros problemas da profissão, que podem ser eliminados pela tecnologia.

No entanto, parte desses profissionais com excelente potencial disruptivo acaba sendo ultrapassada por concorrentes menos proeminentes, justamente por se fecharem em desconfianças infundadas sobre as aplicações da tecnologia aos diversos aspectos de seu trabalho. Acabam se prendendo à máxima “em time que está ganhando, não se mexe”, se agarrando à premissa de que, ao se espelhar nas boas práticas daqueles que se tornaram bem sucedidos, também alcançarão o topo, ou ainda que, ao continuar com aquelas condutas que os levaram ao sucesso, este será mantido.

Mas e quando o jogo muda?

Ao adotar essa premissa sem uma análise mais aprofundada de como seus processos internos dialogam com as atuais diretrizes do mercado jurídico, estes profissionais se enredam cada vez mais ao Paradoxo do Fracasso, isto é, se fixam à ideia de que o fracasso dos bons advogados e escritórios está necessariamente ligado às práticas e decisões ruins. Contudo, por mais antagônico que possa parecer, não é raro que o fracasso de bons profissionais e sociedades esteja vinculado diretamente à manutenção das antigas boas práticas.

Mesmo sob o novo desenho do mercado jurídico, ouvir seus melhores clientes, ter uma excelente gestão financeira, se aprimorar academicamente ou melhorar continuamente a qualidade dos atendimentos que presta jamais poderiam ser consideradas práticas ruins.

Em contrapartida, por mais que seguir a trilha dos que já estão no topo seja um bom ponto de partida, nem sempre lançar mão dessas boas práticas significa tomar as melhores medidas e decisões para alcançar o sucesso ou para mantê-lo. Na verdade, muitos advogados e escritórios fracassam, mesmo ao tomar essas boas decisões, pois ignoram que os próprios paradigmas do mercado jurídico estão mudando.

Ora, talvez os seus principais clientes de hoje, não sejam mais seus principais clientes num futuro próximo. Talvez as áreas de atuação onde você se sobressai deixem de ser rentáveis ou simplesmente deixem de existir. Talvez a forma do atendimento que você presta hoje possa passar a ser desinteressante aos seus clientes, de uma hora para outra.

Assim, esses profissionais acabam se tornando avessos aos novos conceitos e inovações trazidas pelas Lawtechs, em alguma medida, por se prenderem ao status quo anterior, em que as empresas desse segmento não estavam inseridas.

Sobressaindo-se à estes profissionais, se encontram aqueles advogados e escritórios que também entendem o mercado jurídico como a palma de suas mãos, devido à sua larga experiência ou a um profundo estudo de suas bases e diretrizes, mas que, ao contrário do primeiro grupo, se encontram abertos a saírem de suas zonas de conforto. Eles estão dispostos a analisar meios pelos quais as aplicações tecnológicas podem influenciar no futuro do setor e, sobretudo, como utilizá-las para promover esta mudança e, com isso, a verdadeira disrupção.

Atualmente, o mercado já demanda por profissionais com conhecimento jurídico especializado e que saibam trabalhar em conjunto com a tecnologia, utilizando-a a seu favor. Todavia, daqui em diante a adaptabilidade e a interdisciplinaridade vão ditar os rumos e as necessidades do mercado jurídico de formas nunca antes vistas, de modo que os verdadeiros diferenciais de advogados e escritórios serão não só o já famoso “Notório Saber Jurídico”, mas também a habilidade de propor novas soluções com base na tecnologia que têm à sua disposição.

 

 

Share on facebook
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

© Copyright 2019 – All Rights Reserved – PROADV by IMPACTA

Entre em contato

× Como posso te ajudar?