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Legal Designer: quem é esse profissional?

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Autor: Christiano Xavier

Em plena revolução tecnológica, existe um debate contínuo sobre o futuro do trabalho. Enquanto isso, novas profissões já surgem na vanguarda de um movimento que tem como foco as experiências construídas. Esse é o caso do legal designer.

Parte de uma nova geração de serviços legais e com uma recente chegada ao mercado, é comum que ainda existam muitas dúvidas sobre o que faz e quem é este profissional de legal design. A seguir vamos, juntos, imergir de vez nessa nova realidade!

Quem é o Legal Designer?

Os vanguardistas que se dedicam a esse trabalho inovador não são, necessariamente, advogados. É possível também se deparar com designers que abraçam a causa de descomplicar o Direito e desenvolver melhores produtos e práticas legais.

O legal designer é um profissional híbrido e, mais importante do que sua área de formação, é o seu perfil. Dentre outras, são essenciais características como:

– Ser open-minded para enxergar as possibilidades com empatia, se colocando no lugar do cliente ou usuário;

– Ter habilidade criativa para encontrar bons insights;

– Saber adaptar princípios do design, focando na questão humana para identificar seus problemas;

– Gostar do espírito colaborativo para mobilizar profissionais de diferentes habilidades e experiências;

– Estar preparado para mudanças, pois adaptabilidade é crucial para atender necessidades modernas;

– Sempre cultivar a curiosidade.

Do que o Legal Designer é capaz?

O objetivo desse profissional é criar melhores experiências para os usuários de produtos e práticas legais. A entrega do trabalho de legal design envolve uma renovação do foco de atendimento a clientes, criando e agregando valor, por meio do desenvolvimento de melhores interfaces e ferramentas para interação com produtos e serviços legais.

O legal designer não trabalha sozinho. Parte importante da sua missão requer estar atento às dores das equipes na rotina de trabalho e, junto com elas, criar soluções para seus problemas. Com essa parceria, é possível que o legal designer proporcione melhorias que otimizem os processos de comunicação, o desenvolvimento de produtos e serviços e a organização jurídica das empresas. Como resultado é possível verificar:

– Engajamento de público-alvo

Ao integrar as necessidades humanas ao desenvolvimento de soluções jurídicas há um aumento na acessibilidade, na transparência e na compreensão dos aspectos legais. Com isso, há uma diminuição da distância entre advogados, empresas, leis e usuários finais das informações jurídicas. A proximidade e o entendimento fazem crescer a sensação de pertencimento e, consequentemente, gera um maior engajamento de público alvo.

– Capitalização de talentos diversos

Como já vimos, o legal designer não trabalha sozinho. Mas ele é capaz de mobilizar colaboradores de diferentes disciplinas durante o processo de ideação do legal design. Engenheiros, psicólogos, clientes, TI, advogados, etc, ele conta com a colaboração de profissionais de diferentes unidades de negócios que, com suas perspectivas e especialidades, integram a equipe responsável pela co-criação de soluções jurídicas.

– Fortalecimento das relações

Ser escutado é bom, ser compreendido é ótimo e ser atendido é melhor ainda. A base para o legal design é manter uma visão centrada em pessoas. Para isso, o legal designer precisa ouvir clientes ou funcionários e entender suas necessidades, desejos e expectativas ー tudo sob a ótica da empatia. A aproximação no relacionamento com clientes, externos ou internos, por meio de interações positivas é capaz de melhorar o clima organizacional e a reputação da marca.

– Potencialização do caráter inovador

As ferramentas de design tem os requisitos necessários para inspirar insights, aplicar inovações e desenvolver vantagem competitiva. Quer um exemplo? Ainda em 2014, empresas guiadas por design, como a Apple, Nike, Procter & Gamble e Whirlpool, superaram em 228% o maior valor atingido por empresas do S&P 500 na década passada, segundo levantamento feito pelo Design Management Institute. Se o design já vem revolucionando outros setores, por quê seria diferente com o jurídico? Conhecimento em Direito e design, juntos, são a mola propulsora para grandes mudanças nos departamentos jurídicos e escritórios (e em suas mentes).

– Economia de recursos e custos

Feito é melhor do que perfeito. Projetos jurídicos demandam, por vezes, investimento de tempo e dinheiro ainda maiores para que fiquem perfeitos. O legal design aplica uma abordagem onde os protótipos de serviços e produtos são rapidamente compartilhados, testados e aprimorados. Isso permite que pontos fracos do projeto sejam identificados e eliminados antecipadamente, resultando em taxas mais altas de implementação bem-sucedida. Assim, as empresas têm menos gastos no desenvolvimento de sua solução jurídica.

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Como o legal designer provê soluções?

Para idear e prototipar soluções em legal design, esse profissional conta com o suporte da metodologia do Design Thinking, aplicada ao direito. O método possui etapas que auxiliam na resolução de problemas complexos de forma criativa, o que afasta totalmente a associação do termo “design” às questões meramente estéticas.

A seguir, conheça as etapas que compõem esse método inovador:

1. Descoberta

Neste primeiro passo, a questão central é conhecer o seu público da melhor forma possível. Objetivo que deve ser alcançado através de muitas conversas, entrevistas e observações apuradas.

2. Interpretação

Esta é a fase onde começam a surgir os insights. É preciso anotá-los, fazer registros detalhados de cada pensamento, compartilhar impressões e realizar novas observações sobre o que já foi obtido e, a partir de então, identificar oportunidades.

3. Ideação

Nesta etapa, as ideias começam a tomar forma. Um dos meios para construí-las é contar com um brainstorming envolvendo profissionais de diferentes áreas. Todos devem apresentar suas sugestões sem medo de julgamentos e sem a obrigação, a princípio, de estabelecer um resultado.

4. Experimentação

Depois de todas as alternativas apresentadas, uma delas deve ser definida para o processo de experimentação. A partir daí, cria-se um protótipo com os recursos disponíveis, pode ser em um desenho, imagens lúdicas ou até mesmo uma encenação. Seja como for, sua função será a de testar a eficiência da solução sugerida, as reações que ela gera e identificar pontos de melhoria. Aqui, novas sugestões podem surgir, pois tudo ainda pode ser alterado.

5. Evolução

No passo final, os feedbacks do teste com o protótipo são absorvidos. Isso pode fazer com que você precise voltar um passo no processo ou elevá-lo ao nível de projeto a ser concluído. Ainda assim, novas etapas devem ser planejadas para acompanhar e avaliar a implantação da solução. O processo de construção é permanente e a todo instante deve prevalecer a empatia.

 

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Conheça Margaret Hagan

Para promover uma mudança tão significativa de cultura, o Legal Design também tem sido utilizado na construção de um novo ensino jurídico nas universidades, estimulando a formação de advogados que forneçam além de pareceres jurídicos, soluções para os problemas de seus clientes.

Uma das maiores entusiastas e pioneira da adoção do Legal Design Thinking é Margaret Hagan. Atualmente, ela é diretora do Legal Design Lab da Stanford Law School e dá aula no Stanford Institute of Design. Formada em Direito, ela era crítica a algumas abordagens ensinadas nas faculdades e, por isso, procurou desenvolver ferramentas capazes de tornar a justiça mais acessível.

No Legal Design Lab, Margaret Hagan ensina alunos de diversos cursos a resolver dúvidas jurídicas utilizando métodos criativos e não convencionais. Além disso, ela criou o aplicativo Law Dojo que ensina a doutrina jurídica por meio de jogos rápidos e divertidos. Em seu blog, Open Law Lab, é possível ver outros exemplos originais de abordagens do design sobre a lei.

Iniciativa pioneira no Brasil

Em 2017, dois sócios da Future Law, Alexandre Zavaglia e Christiano Xavier, a designer Denise Eler, a consultora de negócios Marina Cavalieri e o controller jurídico Nilton Taveira, desenvolveram uma metodologia para aplicar nas organizações jurídicas. Chamada de “From Problem Framing to RoadMap”, a solução de Legal Design aplicada aos processos de gestão contribuiu e contribui com diversos departamentos jurídicos e escritórios na resolução de problemas, bem como na elaboração de programas de inovação estruturados.

Christiano Xavier é empreendedor, legal designer e especialista em gestão jurídica, mudança de cultura, inovação e novas tecnologias no mundo do direito. Focado no ecossistema jurídico de startups, participa de diversos projetos que inspiram, educam e conectam pessoas, grandes empresas e escritórios às melhores práticas das organizações exponenciais. É um dos coordenadores da Revista de Direito e Novas Tecnologias da Revista dos Tribunais – RT. Sócio Fundador da Future Law e da In.Pact. Possui experiência em escritório de grande porte e departamento jurídico. Atuou por dez anos como Head of Legal da Localiza Rent a Car S/A, tendo sido considerado como o responsável pelo principal case de sucesso de inovação no direito no país. Foi homenageado com o prêmio Corporate Ninja pelo Cubo, centro de inovação e empreendedorismo do Itaú Unibanco e da Redpoint e-ventures. Atuou por oito anos como advogado do Azevedo Sette Advogados, e fez secondment nos escritórios Haynes and Boone, Clifford Chance e Pinheiro Neto Advogados. Possui Mestrado Profissional em Direito dos Negócios pela FGV/SP, MBA em Finanças pela FGV/MG e especialização em direito tributário pelo IBET. Aluno graduado no Grupo Ginga de Capoeira (MG), é também aprendiz de batuqueiro no Grupo Pata de Leão e apaixonado pela cultura popular brasileira. Sonha em investir e trabalhar com projetos de impacto social.

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