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Quando um curso de Design Sprint te mostra a realidade sobre contratos

Autora: Milene Amoriello

Na semana passada tive a última aula do curso de Design Sprint que fiz com a queridíssima @Gisele Raulik no @How Bootcamp aqui em Curitiba – e tenho que dizer que foi um dia em que ouvi verdades.

Nas últimas horas do curso a Gisele pediu que sugeríssemos um tema para que ela pudesse nos mostrar algumas técnicas de facilitação. Eu, a única advogada na turma, coloquei o tema contratos na mesa e para a minha surpresa ele foi aceito. Então a seguinte questão foi escrita em letras amarelas no quadro:

Como melhorar a experiência com contratos?

E foi aí, caro leitor, que a verdade surgiu tão clara como o sol.

A turma era formada por pessoas de todas as idades e das mais diversas áreas: designers, empreendedores, desenvolvedores, diretores de empresa de tecnologia, fotógrafos, pessoas de setores de planejamento, pós-vendas, atendimento, enfim, pessoas que se envolviam com contratos das formas mais variadas, mas todos com dores bastante similares com relação ao assunto.

Foi fácil perceber como a necessidade de firmar contratos era uma péssima experiência, pensar em contratos os remetia a insegurança, falta de compreensão, linguagem complicada e textos longos – receita perfeita para que surjam sentimentos de frustração e ansiedade.

E por que é assim?

Dores do tipo “é difícil de entender”, “é longo demais”, “falta de tempo”, “burocracia”, “complexidade” foram praticamente uma unanimidade, todos têm dificuldade em ler contratos pelo excesso de páginas e termos técnicos e se incomodam com o vai e vem constante até a assinatura final.

Agora imaginem a seguinte situação: você está em um restaurante em um país onde você não fala a língua local, pega o cardápio e simplesmente não entende o que está escrito ali e não tem ninguém para te explicar, mas você está com fome e está com pressa, então pede aquilo que parece ser bom, sem ter muita certeza. Depois de um tempo o garçom te traz um belíssimo prato de vagem – não era bem aquilo que você queria, você nem gosta tanto assim de vagem, mas tem que comer, porque você pediu e concordou em comprar aquilo, só não sabia exatamente com o que estava concordando.

Pois é, alguns relataram que algumas vezes assinam contratos sem entender exatamente o que ele prevê, simplesmente porque precisam fechar logo aquela negociação, e acabam tendo que comer vagem, quando na verdade o que eles tinham em mente era uma macarronada.

E quer saber? Para a grande maioria das pessoas a causa dessa dificuldade está relacionada diretamente ao advogado.

É fato que as pessoas hoje querem cada vez mais ter o controle de suas decisões e entender as situações nas quais estão envolvidas, e tudo aquilo que impede ou dificulta estes objetivos causam desconforto.

A questão é que o consumidor hoje não se conforma e simplesmente aceita situações onde não se sente bem, eles falam, relatam suas dores, e principalmente buscam alternativas para substituir aquilo que não está atendendo às suas necessidades.

Então, se o contrato é complexo, se uma negociação contratual é demorada, causa estresse, ansiedade e até mesmo frustração, por quanto tempo você acha que os usuários ficarão quietos e simplesmente aceitarão, conformando-se que as coisas são como são?

Não podemos esquecer que a presença de advogados não é obrigatória para a elaboração de contratos, e se a associação que se faz é a de que a presença deste profissional traz dificuldade e complexidade, a tendência é que se busque alternativas.

Porém todo esse cenário não seria um contrassenso ao papel do advogado?

Pense comigo: na elaboração de um contrato a presença deste profissional deveria trazer tranquilidade para todos os envolvidos que teriam a certeza de que assinaram algo que atende às suas expectativas e a segurança de que as obrigações assumidas ali serão cumpridas, mas claramente não é isso que está acontecendo.

Que segurança o cliente tem se não consegue sequer entender o que está escrito no contrato de que faz parte?

Como ter tranquilidade ao se firmar um acordo do qual não se tem total clareza do que foi definido?

Contratos não podem ser feitos de advogado para advogado, contratos devem ser feitos para as pessoas que fazem parte daquele acordo, para que estas pessoas atinjam os objetivos que as levaram a fazer negócio – simples assim.

SIMPLIFIQUE! Tenha os olhos e ouvidos voltados para as necessidades do seu cliente, porque se você não o fizer, ele irá procurar alternativas.

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